sábado, 6 de abril de 2013


Antes de postar a imagem de um artista, optei por postar o trecho de um texto que me fez refletir a respeito do que é ser um artista. 


O que é ser um artista?
 
Artista é aquele que valendo-se da faculdade de dominar a matéria concretiza uma ideia, uma obra, efeito do trabalho ou da ação, realiza o que vê, ouve, enfim, sente.

Então, para ser artista é necessário desenvolver o sentir, a visão, o olhar ou o ouvir.....ser capaz de ver e ouvir estrelas como disse Olavo Bilac em seu poema.

Todos nascemos artistas, o difícil é manter-se artista durante a vida.

 Na pintura, por exemplo, a questão é ensinar as mãos a obedecer a visão, treinar para andarem juntas na interpretação do que o artista está “sentindo” com todos os seus órgãos do sentir, então, é apenas uma questão de ATENÇÃO e como disse Buda, a atenção é a única virtude.

Mas, vai mais longe. 

A arte produz a ciência porque realiza o conhecimento que mora dentro do ser.

Veja, uma das historinhas que envolvem a vida de Einstein comprova isto porque conta que um amigo dele, sempre muito preocupado com as coisas que Einstein falava e que ele não entendia, ao cumprimentá-lo porque a ciência havia comprovado uma de suas afirmações e perceber que Einstein não se surpreendeu com a notícia desconcertou-se com seu pouco caso e ao pedir explicações Einstein apenas disse: “meu caro, se fosse ao contrário, aí sim eu ficaria surpreso” de onde podemos concluir que o “artista cientista” VÊ a realidade, traduz e aí, sim, a ciência pode comprovar e todo esse segredo repousa no silêncio da mente, comprovado também pelas palavras dele quando disse 
 
“penso 99 vezes e nada descubro.
Paro de pensar e a verdade se me revela.”
                                                                 Einstein

Como o estado mental de nossa civilização está, como podemos dizer, sendo impedido de se manifestar em sua plenitude, temos cada vez menos artistas em nosso meio, comprovada pela baixíssima produção de arte.

O problema não se encontra no ensino, mas no que as pessoas ainda não sabem sobre a arte do pensamento.

O professor, por exemplo, antes de ensinar, precisa ser um  maestro, o artista que vai reger uma orquestra, ou seja, vai reger os sentidos da criança e ajudá-la a expressar com  harmonia todo o seu sentir para poder manifestá-lo no meio com a elegância relativa à sua arte isto é seu dom: dádiva, presente: 

 
“Prova. Olha. Cheira. Escuta. /
Cada sentido é um dom divino. “ 

(Manuel Bandeira, Estrela da Vida Inteira, p. 20)

E hoje, a ciência pode nos comprovar também que até o cheiro tem uma forma que é traduzido pelas fórmulas químicas e pela leitura das frequências (oscilações, movimento dentro de um determinado intervalo) tal qual os perfumes que são identificados através delas.

Tudo bem que precisamos aprender a ler, escrever e ter um banco de dados para poder traduzir o “dom” em uma linguagem que todos possam compreender porque isto é socialização, desenvolvimento do sentimento coletivo. 

Nada vale mais a pena do que o poder de ser artista e expressar seu pensamento com liberdade, mas, como disse minha netinha de apenas dez anos: 

 
”sou responsável pelo que digo,
mas não pelo que você compreende”

porque, na verdade, é muito difícil as pessoas compreenderem umas às outras justamente por falta do treinamento da compreensão e que, diga-se de passagem, não sabem o quê é. 
Sandra Canello

Um comentário:

  1. Surpreendeu-me. Gostei muito do texto. Necessito pensar melhor a questão da dádiva e sua relação com o ensino-aprendizagem.

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